sábado, 24 de março de 2012

Crise renal - parte 1 - périplo na emergência

Água, água, água.
Saber da necessidade de um litro, um litro e meio por dia, já fato velho.
Mas nem colocando uma garrafa sobre a minha mesa de trabalho faz com que eu ingira mais que uns 300ml por dia. Na verdade é um pouco mais pelas vezes que tomo chá durante o dia. Deve chegar - na média - a uns 500ml.
A ideia é não deixar formar os cálculos nos rins. E fazer com saiam, ainda na forma de cristais, bem pequenos, junto com a urina.
Na quinta-feira à tarde, fiquei com a uretra incomodada após urinar. OK. Saiu uma pedrinha que passou raspando pelas paredes interna do canal.
Recado dado: fim de tarde e à noite tomando mais água e chá para ajudar a expelir e prevenir a formação.
Mas, às 2h30 de sexta-feira, acordo eu com fortes dores no abdomen, abaixo do umbigo, pro meu lado direito. 
Sem ideia do que fosse. Se fosse atrás, um pouco mais alta: rim - essa eu já conheço. Na frente em cima, perto das costelas do meu lado direito: vesícula - essa eu também conheço.
Mas da madrugada de sexta era nova.
Pensei em intestino. Não comi nada que pudesse causar transtorno intestinal. Seria alguma obstrução?
Bem, cadê o Buscopan? Humm. Não tenho. Vai de Novalgina gotas mesmo.
Fico andando pelo apartamento, meio de lado, parecendo um zumbi. 
Já beirando as 3h, decido ir para um pronto socorro. Vou dirigindo ou tento um táxi? Olho pela janela da sala e está chovendo. Táxi? Nem táxi fantasma passava. Vou de carro.
Fica uns cinco quarteirões daqui de casa. Putz! Tem uma placa de proibido estacionar. Não sei quanto tempo vou demorar e a GM-Rio tem marcado em cima. Oba! Tem uma vaga do outro lado da rua. Tíquete obrigatório a cada duas horas. Se for o caso, ao amanhecer eu acerto com o guardador.
O interessante de atendimento de emergência é que os atendentes não acham que ali é para atender emergências! Eu curvado de dor, já tendo entregue identidade e carteirinha do plano de saúde e a mulher do balcão perguntando: idade (Pxxxa! faz a conta! Minha data de nascimento tá na sua frente!), cep, número, primeira vez aqui ...
E mesmo com o lugar vazio, eu somente fui atendido já eram 3h40min. Fato é que, o ar naquele lugar estava tão frio, que achei que deveria ser alguma nova técnica para aliviar o sofrimento de vai até lá.
03h45min: após algumas perguntas básicas a médica manda me aplicar um analgésico. Aguardar na sala ao lado. Me entregaram uma requisição para exames de TC, sangue e urina, com a orientação de já ir para o laboratório - corredor ao lado - com o material colhido.
E quem disse que com dor na barriga e frio alguém consegue urinar. Sangue coletado, já beirava 04h15 e nada da dor ceder.
Reclamei e a médica mandou aplicar um outro analgésico.
Mais frio na sala de espera. Sentei numa poltrona perto da porta que foi o local menos frio que encontrei.
A dor não passava. Chamo o atendimento outra vez. Agora um médico me atendeu e mandou que me aplicassem um terceiro analgésico, desta vez subcutâneo. O técnico que aplicou ainda tentou fazer uma piadinha, dizendo que se a dor não passasse com aquele remédio, era porque a coisa 'tava ruim mesmo'.
Nisso, já beirava 5h.
Fui levando numa ambulância para um centro de diagnóstico por imagem. De novo, um frio para urso polar nenhum por defeito. Pior:
- Senhor, por favor estique seus braços atrás da cabeça respire fundo e prenda a respiração.
Ok. É leitor. Tente fazer isto com fortes dores no abdomen - quem disse que o terceiro analgésico (o quarto, contando com a Novalgina). Nisso eu ouvi o despertador do meu celular tocando: 05h40.
Volto para ambulância, que retornou comigo para a Emergência . Já havia amanhecido. No caminho pergunto ao técnico de enfermagem que estava me acompanhando o que estava escrito no laudo da Tomografia Computadorizada. 
- Ah! Tem um cálculo preso no seu uretér.
(Continua...)

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