segunda-feira, 12 de março de 2012

Nas frias águas do mar de Ipanema.

Essa foi a noite em que senti mais falta da Dk comigo nesses quase 70 dias que ela partiu para a Coréia do Sul.
Eu estava precisado de atenção, de carinho, de colo da mulher amada...

Quem convive comigo sabe que detesto frio. 

E fui traído justamente pelo mar de Ipanema, em pleno verão.

Ontem, dia 10/03/12, tivemos uma etapa da maratona aquática Rei e Rainha do Mar Light, de Ipanema (da altura da Farme de Amoedo) até o Arpoador. Modalidade Sprint:1.000m.

Seria minha primeira participação neste tipo de prova. 
Quando eu corria, participei de várias corridas de 5/10km, uma meia maratona e uma São Silvestre.
Mas no mar, seria minha primeira experiência.

Para minimizar a temperatura da água do mar, comprei uma dessas blusas que os surfistas usam quando a água está mais fria.

Blusa, touca, óculos, chip preso, amarração da sunga conferida.


Breve aquecimento e foi dada a largada,
Eram 17h.
Apesar de ter amanhecido dia claro, com sol, o tempo virou de tarde e estava completamente nublado, com uma brisa mais fria.

Corro para a água e inicio a  travessia da arrebentação em direção à primeira boia.
A água estava fria. Comecei a tremer e a sentir meus pés iniciando a ficarem dormentes.
Não vou insistir. Eu me conheço o bastante para saber o que vai me acontecer depois se eu continuar. Antes de contornar a primeira boia eu retornei.

Já de volta à beira da praia, ainda um pouco trêmulo, olho a multidão que contornou a primeira boia e avança em direção ao Arpoador. Vejo também que alguns nem entraram totalmente na água e desistiram, e os jet skis e staff de apoio na água já retirando vários participantes.

Inicio minha caminhada para o local da chegada. Converso com outros desistentes sobre a baixa temperatura da água e somos unânimes na conclusão que estávamos ali pela diversão e não para sofrer no frio.

Chegando no Arpoador, vejo os participantes que concluíram a prova com lábios arroxeados, com frio e "batendo queixo". Presenciei a equipe médica atendendo cinco casos graves de hipotermia. 

Na barraca da academia Physical, meus colegas que terminaram a prova chegavam gelados, e logo eram recebidos com toalhas e cangas e um copo de chocolate quente. 
Aliás,  o chocolate quente acabou sendo solidariamente servido também a participantes que não eram de nosso grupo mas passavam na barraca pedindo ajuda.

E lá vem outro na maca envolto nessas folhas que parecem papel alumínio, direto para o posto médico.

Mas o tempo todo, desde que assumi que eu não tinha condições de continuar, fiquei com uma forte carga de frustração. Foram dois meses treinando na academia para esta prova. E eu não resisti à temperatura baixa da água.

Apesar do pouco tempo que eu estive na água, mesmo ao chegar em casa ainda estava com a sensação de frio nas pernas e pés. Como se fora uma "queimadura". Se eu houvesse insistido então ...

Tomei um banho quente e fui para minha cama.

Dormi logo mas acordei poucas horas depois com uma sensação horrível de frio e calor. Ao tempo em que sentia frio, puxando sobre mim a colcha da cama, sentia calor - a noite estava quente - e suava. Suei tanto que encharquei a roupa de cama.
Plin! Duas da manhã. Eu acordado. Trocando roupa de cama e tomando outro banho.

Não deixava de pensar que não fiz a prova. Não me sentia bem com isto. Mesmo tendo a certeza que eu iria me dar mal se insistisse.
Mas tantos foram até o fim (e tantos passaram mal ao fim da prova!) .

Ainda não estou bem com isto.

3 comentários:

  1. Oh, meu amor. Essas coisas acontecem. Sei muito bem que você entrou nessa mais pela farra que qualquer outra coisa. Se as condições para farra não estavam boas... paciência. Realmente não valia a pena se danar para concluir a prova, mesmo porque isso é sofrimento. E, sacrifício na praia de Ipanema, no domingo de tarde não dá. Se não tiver como fazer as coisas com alegria é melhor abrir mão. Quem sabe da próxima vez? De qualque jeito você continuará sempre sendo (meu) Poseidon.

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  2. Oi Homero,
    Concordo plenamente com a frase acima, da Drika "Se não tiver como fazer as coisas com alegria é melhor abrir mão".
    Estas coisas acontecem, e é necessário muita sabedoria para desistir. Imagine o grupo que está prestes a chegar ao topo do Everest e, por um motivo ou outro, tem que desistir. É muito chato, faz parte.
    Força! Fica para a próxima...
    Abraços

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  3. Caro Amigo,

    Antes de mais nada, muito legal o seu blog, eu tinha um, mas acabei deixando de postar, e foi ficando por isso mesmo, mas acho super legal, quem sabe eu monto um outro ainda?
    Hipotermia é um problema sério, para nós que estamos mais que acostumados com esse calor tropical, não é legal.
    Eu parto da premissa que em certas ocasiões principalmente aquelas que irão nos trazer dano a saúde, nem devemos tentar, pois: saúde é uma só e quando a perdemos, para encontra-la novamente as vezes leva um tempo quase infinito. O senso de sobrevivência deve falar mais alto.
    Essa prova foi só um test drive para as próximas em que você sairá vencedor, tudo acontece no termpo certo! e nada acontece por acaso!
    Abraços

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