(Leia abaixo a transcrição)
Rio de Janeiro, 15/04/12
Se há algo que há muito tempo eu não fazia, é redigir à mão.
Ainda mais, resgatando uma das minhas canetas tinteiro - uma reedição da Parker 45 - e à luz de uma vela.
Após um dia muito quente - registrei 40°C num termômetro de rua - houve uma ventania.
Minutos após ter passado, ficamos sem energia elétrica.
Fazia muito tempo que não via um texto manuscrito por mim.
Minha caligrafia. Parte da minha identidade. Parte da identidade que nós, os tecnologicamente abastados, abdicamos em nome da praticidade da escrita em computadores.
Resta-nos o estilo da escrita. Afirmação questionável já que poucos escrevem mais que algumas linhas no Facebook e 140 caracteres no Twitter.
Veja a parte inicial deste texto: a letra tem um formato mais cuidadoso. À medida que a narrativa se desenvolve, a ânsia por expressar-me fica explícita.
Vejo que não mais grafo a letra 'x' coreta - Ops! correta - bem como alguns 'i' foram suprimidos e várias palavras grafadas em partes.
Recordei agora que D. Nadir, que foi minha professora de língua portuguesa no ensino fundamental. Rigorosíssima quanto a ortografia e gramática. Professor Rafael, com suas análises literárias no ensino médio.
Fui um afortunado em tê-los como professores.
Bom, eis que a energia foi restabelecida.
Volto eu ao mundo digital.


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