segunda-feira, 2 de abril de 2012

Encontro da nobreza na Fazenda Ponte Alta


Vista oposta da Fazenda Ponte Alta
[imagem obtida do site oficial da fazenda]

Barão e Baronesa de Mambucaba
em apresentação de costumes de época
[Imagem obtida em busca na WEB]
É sabido que o sobrenome Carreiro, originário da Ilha de São Miguel, Portugal, tem raízes nobres.
Assim, após cruzar os dois quilômetros que separam o portão da casa principal, não me surpreendi ao ser recebido pessoalmente pelo Barão de Mambucaba ao visitar sua fazenda, a Ponte Alta, em Barra do Piraí - RJ.
O Barão e a Baronesa pessoalmente me apresentaram a casa da sede.
Muito do mobiliário original do Séc. XIX encontra-se preservado.
A casa está em posição elevada, de onde se avistam as outras construções e grande parte das terras.
O hospital de escravos, as senzalas, a casa do feitor, o depósito do café, a roda d'água e seu aqueduto, tudo preservado. Formam um quadrilátero de defesa, tanto interna quanto externa, transformando a sede da fazenda numa fortaleza. No centro do quadrilátero era o terreiro de secar o café, hoje substituído por um belo gramado.
[Imagem de algumas das peças expostas, obtida emhttp://imageshack.us/photo/my-images/281/dsc018357vl.jpg/] 

Orgulhosamente, o Barão de Mambucaba mostra fotos que registram a presença do Presidente Getúlio Vargas, diversas vezes hóspede da Fazenda Ponte Alta. Famosos da Era do Rádio também costumavam hospedar-se lá.
Cortesmente a Baronesa desculpa-se por deixar-nos, pois acabara de chegar um ônibus com uma excursão e ela iria recebê-los.


Descendo até as senzalas, o Barão me explica as técnicas de construção usadas em 1830, quando a fazenda foi fundada e mostra alguns utensílios utilizados na fazenda como peças em prata, ferro, e cobre batido. Na parede há gravuras de orixás, doadas por Governos africanos. Chama minha atenção para as frestas no piso de madeira. As senzalas estão sobre os currais. A ideia era usar o calor emanado pelos animais para aquecer a senzala nos dias frios.
Imagino o problema que era no verão, já que senzala não tem janela.
Atualmente, como o espaço é usado como museu, janelas foram abertas, mas preservando o estilo do tipo de construção.


No espaço seguinte estão diversas peças sacras dentre outras recuperadas da antiga capela. Dentre elas estão os adornos do altar, algumas imagens e outras peças de mobiliário. Neste mesmo local, há arranjos para que saraus sejam apresentados.


Ao chegarmos na roda d'água, supus que movesse as pedras de moagem, para preparo de farinha de mandioca e fubá. Na verdade ela movia pilões que eram usados no processo de descascar os grãos de café. O espaço acima era onde armazenavam as sacas com o café pronto para a comercialização. Ali temos várias outras peças originais como o confessionário, a cadeira de penico que a família usava, a balança usada para pesar as sacas de café e muitas outras.


Encantado com a preservação do local e a atuação na divulgação desse cenário histórico, despedi-me do Barão e retornei ao evento que me levara até a fazenda.


A Fazenda Ponte Alta ainda produz leite, mas sustenta-se principalmente como pousada e oferece aos seus visitantes a visita guiada, muito bem conduzida pelos atores que representam o Barão e a Baronesa.


Afinal, o Barão, se vivo, estaria com 219 anos. 
Recomendo a visita: _http://www.pontealta.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário